Contabilidade Gerencial na Prática 2

Publicado em 04/09/2018

O primeiro mês do Pet Shop

No primeiro artigo da série Contabilidade Gerencial na Prática você viu como o Balanço Patrimonial de uma empresa recém-aberta começa a tomar forma antes mesmo das primeiras vendas. O Pet Shop do João ficou pronto e todos na empresa estão ansiosos para receber os primeiros clientes! Nesse artigo vamos mostrar o que ocorre com o Balanço após algumas vendas de produtos e serviços, pagamentos de salários, fornecedores e títulos.

No primeiro mês o Pet Shop faturou $ 5.000 com serviços de banho e tosa e vendeu 20% dos produtos em estoque por $ 10.000. Desses $ 15.000 de faturamento, $ 2.000 foram em dinheiro, $ 7.000 com cartão de débito e $ 6.000 no cartão de crédito, sem parcelamento. A taxa para vendas no débito é de 2% e no crédito, 4%.

Todas as vendas irão entrar no Ativo Circulante, sendo que a receita em dinheiro irá para o Caixa, as vendas no débito entrarão no Banco já com o desconto da taxa de 2% e as vendas no cartão de crédito irão compor a conta Clientes, também já com o desconto de 4%. Como foi vendido 20% do estoque (que era de $ 30.000), deve ser feito também o acerto nessa conta do Ativo. Ou seja:

Caixa = $ 2.000

Bancos = $ 70.000 (saldo anterior) + $ 6.860 (7.000 -2%) = $ 76.860

Clientes = $ 5.760 (6.000 – 4%)

Estoques = $ 30.000 – $ 6.000 (estoque vendido) = $ 24.000

Então o nosso balanço fica assim, certo?

Errado!

Lembre-se que a soma do Passivo Circulante, Não-Circulante e Patrimônio Líquido sempre deverá ser igual ao total do Ativo. Portanto a diferença de $ 14.620 que surgiu deve ser somada aos lucros ou prejuízos acumulados. Portanto o Balanço Patrimonial fica assim:

Nada mal para o primeiro mês de uma empresa ainda pouco conhecida, não é mesmo? É, mas o problema é que ainda não contabilizamos as despesas. Lembra que o João já tinha assumido alguns compromissos para o mês de inauguração? O Pet Shop precisa pagar $ 3.000 em salários, $ 10.000 de títulos referentes às compras de imobilizado e mais $ 10.000 aos fornecedores. Portanto, as contas ficam assim:

Títulos a pagar = $ 30.000 (saldo anterior) – $ 10.000 = $ 20.000

Fornecedores = $ 20.000 (saldo anterior) – $ 10.000 = $ 10.000

Salários = $ 3.000 (saldo anterior) – $ 3.000 = $ 0

Bancos = $ 76.860 – $ 23.000 = $ 53.860

Para fechar o primeiro mês, ainda faltam lançar algumas despesas e novos passivos. Nada mudou em relação ao quadro de pessoal, portanto entram mais $ 3.000 na conta salários. E como o Pet Shop do João é optante pelo SIMPLES, todos os impostos incidentes sobre as vendas são cobrados em uma única guia, o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional). A alíquota inicial é de aproximadamente 17% sobre o faturamento. Como o Pet Shop vendeu $ 15.000, o valor do DAS é de $ 2.550. Por fim, houve pagamento de aluguel, água, luz, internet e telefone, que totalizaram $ 9.000 e saíram do Banco. Assim, o primeiro mês do Pet Shop encerrou dessa forma:

Fácil, não é? À medida que vamos praticando, a leitura de um Balanço Patrimonial fica cada vez mais simples. Nessa série de artigos estamos mostrando um modelo simplificado, mas que contém basicamente tudo o que um empreendedor precisa saber para utilizar indicadores de desempenho e acompanhar de forma mais profissional a evolução do seu negócio. Normalmente o Balanço Patrimonial só é fechado a cada três meses. Mas a qualquer momento você pode solicitar ao seu contador um balancete. A diferença é que nesse documento você vai ver o que chamamos de Contas de Resultado. Se tiver dificuldades em entender o balancete, peça ajuda ao seu contador! Assim você poderá verificar se o seu balancete condiz com a realidade da empresa.

Futuramente vamos mostrar também o que acontece com o Balanço Patrimonial quando a empresa começa a sonegar impostos. Mas antes, você vai ver na prática como é preenchida a DRE (Demonstração de Resultado do Exercício), utilizando exatamente os mesmos dados do primeiro mês do Pet Shop do João. Não perca o próximo artigo!

Ficou com alguma dúvida? Mande pra nós nos comentários!

Escrito por:
Paulo Henrique França Alves

Diretor Financeiro da TagPlus. É formado em Processos Gerenciais pela FGV e pós-graduando em Gestão Estratégica de Finanças pela PUC Minas.