Ambiente de negócios em 2026: o que a pesquisa do IBGC revela sobre gestão, tributação e governança

A terceira edição da pesquisa Perspectiva dos conselheiros e executivos – ambiente de negócios e governança corporativa (2026), realizada pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, traz um diagnóstico relevante sobre o cenário empresarial brasileiro.

Os dados mostram um aumento do pessimismo em relação ao ambiente de negócios, mas também revelam que as empresas seguem investindo, apostando na transformação digital e buscando fortalecer sua estrutura de governança.

Para gestores e empreendedores, o estudo oferece insights importantes sobre riscos, prioridades e oportunidades para 2026.

O ambiente de negócios está mais desafiador

Pela primeira vez desde o início da pesquisa, a percepção negativa sobre o ambiente de negócios superou a positiva. A avaliação de cenário “ruim” ou “muito ruim” passou de 27,4% em 2024 para 35,3% em 2026.

O dado se torna ainda mais relevante quando analisado por porte de empresa. Entre organizações com receita de até R$20 milhões, 43,2% dos respondentes classificam o ambiente como negativo. No setor financeiro, esse índice chega a 45,2%.

Esse movimento indica um cenário de maior cautela, especialmente entre empresas com menor margem para absorver impactos econômicos e regulatórios.

Carga tributária continua sendo o principal risco

Pelo segundo ano consecutivo, a carga tributária aparece como a principal ameaça ao ambiente de negócios, apontada por 45,8% dos conselheiros e executivos.

Esse resultado reforça um ponto para as empresas: gestão tributária deixou de ser apenas obrigação operacional. Em um cenário de maior pressão fiscal, controle, organização e acompanhamento das rotinas fiscais passam a ter impacto direto na competitividade e na sustentabilidade do negócio.

Empresas que conseguem reduzir riscos, evitar inconsistências e manter conformidade tendem a operar com maior previsibilidade e segurança.

Confiança interna permanece positiva, mesmo com recuo

Apesar do aumento do pessimismo em relação ao ambiente externo, a confiança no desempenho das próprias empresas ainda é majoritariamente positiva.

A perspectiva favorável caiu 10,9 pontos percentuais em comparação com 2025, mas permanece em 59%. Além disso, 54,7% dos respondentes acreditam que suas empresas têm capacidade de antecipar riscos.

Esse contraste mostra que, mesmo em um cenário desafiador, as organizações reconhecem sua capacidade de adaptação e gestão estratégica.

Investimentos seguem focados em crescimento e eficiência

Mesmo diante de um ambiente considerado mais complexo, os investimentos não foram interrompidos. As prioridades para 2026 permanecem alinhadas às edições anteriores da pesquisa:

  • expansão de mercados, citada por 49,0% dos respondentes;
  • transformação digital, com 48,4%;
  • desenvolvimento do capital humano, com 45,3%.

A presença da transformação digital entre os principais focos reforça que eficiência operacional e modernização de processos são requisitos para competir no mercado.

Governança corporativa precisa evoluir

No campo da governança, o principal desafio apontado para 2026 é a percepção de que o nível atual já seria suficiente. Para 36,8% dos respondentes, o maior obstáculo ao aprimoramento é justamente o entendimento de que não há necessidade de evolução.

Essa visão pode representar um risco. Em ambientes instáveis, estruturas de governança bem definidas, processos claros e acompanhamento estratégico constante fazem diferença na qualidade das decisões.

Entre as prioridades de aprimoramento da governança corporativa estão:

  • aspectos relacionados à diretoria, como avaliação, sucessão e remuneração, apontados por 42,9%;
  • procedimentos e estrutura do conselho, com 41,1%;
  • desenvolvimento de competências dos conselheiros, citado por 31,9%.

Esses dados indicam uma preocupação crescente com profissionalização e eficiência na condução estratégica das empresas.

O que os dados indicam para 2026

A pesquisa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa mostra um cenário mais cauteloso, com aumento da percepção negativa sobre o ambiente de negócios e manutenção da carga tributária como principal fator de risco.

Ao mesmo tempo, evidencia que empresas seguem investindo, apostando em digitalização e buscando aprimorar sua governança.

Em um contexto de maior complexidade regulatória e pressão fiscal, organização de processos, controle de informações e gestão eficiente deixam de ser apenas boas práticas. Tornam-se pilares para sustentar crescimento, reduzir riscos e garantir competitividade.

Para empresas que querem atravessar 2026 com mais segurança, o caminho passa por planejamento, tecnologia e tomada de decisão baseada em dados consistentes.

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