Como a Reforma Tributária impacta a precificação de produtos e serviços
Com a chegada da Reforma Tributária, empresas de todos os portes precisarão repensar a forma como fazem a precificação de seus produtos e serviços.
Isso acontece porque o novo sistema muda completamente a dinâmica de pagamento de impostos e o aproveitamento de créditos tributários. Para muitas empresas, principalmente aquelas que operam com margens mais apertadas, essa mudança pode impactar diretamente o fluxo de caixa.
Entender essas mudanças é fundamental para manter a rentabilidade do negócio nos próximos anos de transição.
O impacto do split payment no fluxo de caixa
Um dos pontos mais importantes da reforma é a introdução do modelo de split payment.
Nesse modelo, no momento da transação o valor do imposto já é separado automaticamente. Ou seja:
- o cliente paga o valor total da compra;
- os impostos são retidos no ato da transação;
- a empresa recebe apenas o valor líquido da venda.
Isso significa que o valor dos impostos não passa mais pelo caixa da empresa.
No modelo atual, muitas empresas utilizam esse valor temporariamente como capital de giro até o momento do pagamento dos tributos. Com o split payment, essa folga financeira deixa de existir.
Empresas que possuem margens pequenas e grande prazo entre compra de insumos e venda do produto podem sentir esse impacto de forma mais significativa.
O papel do crédito tributário no novo sistema
Outro ponto importante da reforma é o fortalecimento do modelo de não cumulatividade, baseado no aproveitamento de créditos.
No novo sistema, os impostos principais serão:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) — federal
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) — estadual e municipal
Esses tributos permitem o aproveitamento de créditos ao longo da cadeia produtiva.
A lógica passa a ser representada pela fórmula:
Imposto a pagar = Débitos de impostos nas vendas – Créditos gerados nas compras
Ou seja, o crédito tributário passa a ser uma peça fundamental na estratégia de precificação.
Comparando o sistema antigo com o novo
Sistema anterior
Se um cliente compra um produto por R$100, nesse valor podem existir:
- ICMS embutido no preço;
- PIS/Cofins cumulativo ou parcialmente cumulativo;
- ISS ou ICMS na venda;
- créditos limitados ou inexistentes.
Nesse cenário, muitas empresas simplesmente incorporavam os impostos no preço final.
Novo sistema da Reforma Tributária
Se um cliente compra um produto por R$100, a dinâmica muda:
- a empresa gera crédito de CBS e IBS na compra;
- paga débito de CBS + IBS na venda.
Isso significa que os créditos passam a influenciar diretamente o preço do produto.
A fórmula antiga de precificação não funciona mais
Muitas empresas utilizam um modelo clássico para definir preços:
Custo do produto + despesas + impostos + margem = preço
Com o novo sistema tributário, esse modelo deixa de representar a realidade.
Isso acontece porque parte do imposto pago na compra vira crédito, reduzindo o custo efetivo da operação.
A nova lógica de precificação após a reforma
Com a Reforma Tributária, a fórmula passa a ser mais próxima de:
Preço = (Custo – Créditos tributários) + Despesas + Margem
Isso significa que empresas que souberem mapear e aproveitar corretamente seus créditos terão uma grande vantagem competitiva.
Na prática, elas poderão:
- vender mais barato;
- manter margens saudáveis;
- pagar menos imposto ao aproveitar créditos corretamente.
Setores que podem perder margem
Alguns setores podem sentir mais fortemente o impacto da reforma se não se adaptarem.
Comércio
Se o comerciante ignora o crédito tributário na compra de mercadorias, ele pode acabar pagando mais imposto do que o necessário.
Indústria
A indústria possui cadeias produtivas longas.
Isso amplifica o impacto de uma má gestão de créditos tributários.
Serviços
Esse é o setor que tende a sofrer a maior mudança de carga tributária.
Hoje muitos serviços pagam cerca de 5% de imposto, enquanto no novo modelo a carga pode chegar a aproximadamente 28%.
Além disso, empresas de serviço possuem dificuldade para gerar créditos.
Por que empresas de serviços geram poucos créditos com a Reforma Tributária?
Isso acontece porque os principais custos do setor não geram crédito tributário, como por exemplo:
- folha de pagamento;
- pró-labore;
- distribuição de lucros.
Ou seja, grande parte da estrutura de custos não reduz o imposto a pagar.
Por isso, muitas empresas de serviço precisarão ajustar preços, rever estrutura de custos e repensar o modelo de negócio.
Atenção aos fornecedores do Simples Nacional
Outro ponto estratégico será a escolha de fornecedores.
Empresas que compram de fornecedores do Simples Nacional podem enfrentar um problema: essas operações não geram crédito cheio de CBS e IBS.
Isso significa que comprar de um fornecedor do Simples pode ser tributariamente mais caro:
- fornecedor do Simples Nacional: não gera crédito completo.
- fornecedor do Lucro Real: gera créditos de CBS e IBS que podem ser aproveitados.
Por isso, mapear os fornecedores da cadeia produtiva será cada vez mais importante.
O que sua empresa precisa fazer ainda em 2026
Mesmo que a implementação completa da reforma ocorra de forma gradual, 2026 é o momento de preparação.
Algumas ações importantes incluem:
Revisar a precificação
Recalcule os preços considerando o crédito tributário como uma variável estratégica, com a fórmula: Preço = (Custo – Créditos tributários) + Despesas + Margem
Entender os créditos tributários
Mapeie todos os créditos possíveis de CBS e IBS dentro da sua cadeia produtiva.
Adaptar o modelo de negócio
Revise fornecedores, estrutura de custos e margens de lucro para se adequar ao novo ambiente tributário.
Mais controle financeiro para o seu negócio
Com todas essas mudanças, acompanhar o fluxo de caixa e os custos do negócio será ainda mais importante.
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Imagem: Freepik
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