Lucro Real x Lucro Presumido: qual o melhor regime para sua empresa?

A escolha do regime tributário impacta diretamente o quanto sua empresa paga de impostos, e muitos negócios acabam pagando mais do que deveriam por falta de informação.

Entre as opções disponíveis, Lucro Real e Lucro Presumido são os regimes mais comuns para pequenos e médios empresários. Entender como cada um funciona é essencial para tomar decisões financeiras mais inteligentes.

Compreender as diferenças entre esses regimes permite reduzir riscos, melhorar o planejamento financeiro e alinhar a carga tributária à realidade do seu negócio.

Neste artigo, você vai entender de forma prática o que é Lucro Real, o que é Lucro Presumido, quando cada um é mais vantajoso e como a Reforma Tributária entra nesse contexto.

O que é Lucro Real?

No Lucro Real, o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) são calculados com base no resultado contábil efetivo da empresa, ou seja, sobre o lucro líquido apurado após a dedução de todas as despesas comprovadas.

Apesar de ser mais comum entre grandes empresas, qualquer empresa pode optar pelo Lucro Real, desde que esteja preparada para uma gestão contábil mais detalhada.

Em termos simples, no Lucro Real a empresa paga imposto sobre aquilo que realmente ganhou.

Alíquotas no Lucro Real

IRPJ

  • 15% sobre o lucro mensal de até R$ 20.000,00
  • 25% sobre o lucro que exceder R$ 20.000,00/mês


CSLL

  • 9% sobre qualquer valor de lucro apurado

Na prática, a carga tributária varia de 24% a 34%, aplicada sobre o lucro, e não sobre o faturamento.

Forma de apuração

O Lucro Real pode ser apurado de duas formas:

  • trimestral;
  • anual.

Cada uma possui impactos diferentes no planejamento tributário.

Quando adotar o Lucro Real?

O Lucro Real costuma ser mais vantajoso quando:

  • a margem de lucro é inferior a 32% do faturamento;
  • a empresa possui muitas despesas dedutíveis;
  • o negócio opera com margens variáveis ou reduzidas.

Lucro Real Trimestral

É recomendado para empresas com resultados estáveis ao longo do ano. Em casos de sazonalidade (quando há meses de lucro e meses de prejuízo) o prejuízo só pode ser compensado até o limite de 30% do lucro do período seguinte.

Lucro Real Anual

Mais indicado para empresas com sazonalidade, pois permite:

  • apuração mensal por estimativa;
  • compensação integral de lucros e prejuízos ao longo do ano, sem limitação.

O que é Lucro Presumido?

O Lucro Presumido é um regime simplificado de apuração do IRPJ e da CSLL, no qual a legislação presume uma margem de lucro sobre o faturamento da empresa.

Ele pode ser adotado por empresas que, no ano-calendário anterior, tiveram:

  • Receita bruta total igual ou inferior a R$48 milhões, ou
  • Receita proporcional de R$4 milhões por mês de atividade, quando o período for inferior a 12 meses.

Como funciona a presunção de lucro?

Para empresas de prestação de serviços, de forma geral:

  • A base de cálculo presumida é de 32% do faturamento bruto.

Ou seja, mesmo que a empresa tenha um lucro menor (ou maior), os impostos serão calculados sobre essa margem fixa.

Alíquotas no Lucro Presumido

IRPJ

  • 15% sobre a base presumida, até faturamento trimestral de R$ 187.500,00
  • 25% sobre a parcela que exceder esse valor

CSLL

  • 9% sobre a base presumida

Importante: no Lucro Presumido, os tributos são pagos trimestralmente.

Quando adotar o Lucro Presumido?

O Lucro Presumido tende a ser mais vantajoso quando:

  • a margem de lucro real é igual ou superior a 32%;
  • a empresa tem baixo volume de despesas dedutíveis;
  • busca uma gestão tributária mais simples, com menos obrigações acessórias.

Quando a margem de lucro é inferior a 32%, normalmente o Lucro Real se mostra mais econômico.

Lucro Real x Lucro Presumido: comparativo prático

CaracterísticaLucro RealLucro Presumido
Base de cálculoLucro efetivoLucro estimado (presumido)
ComplexidadeAltaMédia
Frequência de apuraçãoTrimestral ou AnualTrimestral
Indicado paraMargens baixas ou variáveisMargens altas e estáveis
Impacto das despesasReduz impostoNão altera base

Reforma Tributária: o que muda na escolha do regime?

As alíquotas de IRPJ e CSLL mudam?

Não. A Reforma Tributária mantém as regras de tributação sobre o lucro, portanto:

Lucro Real

IRPJ
  • 15% sobre o lucro mensal de até R$ 20.000,00
  • 25% sobre o lucro que exceder R$ 20.000,00/mês
CSLL
  • 9% sobre qualquer valor de lucro apurado

Lucro Presumido

IRPJ
  • 15% sobre a base presumida, até faturamento trimestral de R$ 187.500,00
  • 25% sobre a parcela que exceder esse valor
CSLL
  • 9% sobre a base presumida

Ou seja, IRPJ e CSLL não foram alterados pela Reforma Tributária, e os percentuais continuam válidos.

Então por que se fala que o Lucro Presumido pode se tornar menos vantajoso?

A mudança não está no imposto sobre o lucro, mas sim nos tributos sobre o consumo.

Com a substituição de PIS, Cofins, ICMS e ISS por CBS e IBS, o sistema passa a funcionar de forma mais ampla no modelo de crédito financeiro.

Na prática, isso significa que:

empresas no Lucro Real tendem a aproveitar melhor os créditos tributários ao longo da cadeia;

empresas no Lucro Presumido, especialmente de prestação de serviços, terão menos créditos a compensar, já que:

– possuem menos insumos tributáveis;

– possuem menos insumos tributáveis;

Impacto direto para empresas de serviços

Para prestadores de serviços, o cenário exige ainda mais atenção:

o Lucro Presumido continua existindo e pode ser vantajoso em margens elevadas;

porém, com menos créditos para abatimento dos novos tributos sobre consumo, o custo tributário total pode aumentar;

isso faz com que o Lucro Real volte a ser avaliado como alternativa, principalmente para empresas com:

– crescimento estruturado;

– controle rigoroso de despesas;

– planejamento tributário mais ativo.

A Reforma Tributária, portanto, não elimina o Lucro Presumido, mas reduz parte de sua vantagem histórica para alguns setores.

A importância da gestão para escolher o regime certo

Não existe uma resposta única para todos os negócios.

Especialistas destacam que não há regras fixas para definir qual regime é o mais vantajoso. A escolha depende de fatores como:

  • margem de lucro;
  • estrutura de custos;
  • sazonalidade;
  • planejamento de crescimento;
  • qualidade das informações financeiras.

Ter um sistema de gestão que organize faturamento, despesas e relatórios contábeis faz toda a diferença nesse processo.

Conclusão

A decisão entre Lucro Real e Lucro Presumido vai muito além da alíquota aplicada. Ela envolve entender a realidade financeira da empresa e projetar cenários futuros, especialmente em um contexto de Reforma Tributária.

  • Lucro menor que 32%? O Lucro Real pode ser mais vantajoso.
  • Lucro acima de 32% e gestão simplificada? O Lucro Presumido pode fazer mais sentido.

E para você, qual regime é o mais vantajoso no seu negócio?

Avaliar essa escolha com dados confiáveis é o primeiro passo para pagar menos impostos e tomar decisões mais estratégicas.

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Escrito por

Comunicóloga, Relações Públicas. Criadora de conteúdo educativo sobre administração e finanças.

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